A gripe suína, como inicialmente foi chamada a gripe A (H1N1), ficou conhecida no mundo quando um surto da nova gripe matou aproximadamente 100 pessoas no México, em abril de 2009. Desde então os casos de contaminação cresceram pelo mundo e mesmo as indicações para que as pessoas não viajassem para países com casos de influenza A não foram suficientes para conter a disseminação do vírus.
No quadro atual, já são contabilizados 160 países com casos registrados de gripe A (H1N1), aproximadamente, 119.334 contaminações e mais de 800 mortes causadas por complicações que envolviam o vírus. Entretanto a OMS destaca sete países em que a transmissão do vírus foi considerada sustentada: EUA, México, Austrália, Chile, Argentina, Reino Unido e Canadá.
No mundo, o país que mais apresentou casos da nova gripe foi os Estados Unidos, contabilizando 37 mil casos, sendo que entre estes as pessoas mais atingidas foram as mulheres grávidas. Junto com os EUA encontramos, com 12.645 casos, o México, e com 9.718 casos, o Reino Unido. Embora os EUA possuam o maior número de casos, a América Latina é considerada a região mais atingida pelo vírus da Gripe Suína, tendo o maior número de contaminações e mortes. Segundo a OMS a região detém dois terços das 816 mortes registradas até agora, sendo que no topo da lista latino-americana aparece a Argentina com 165 mortes registradas, acompanhada por México, com 138 mortes, Chile, com 79 mortes, Brasil, com um total de 60 mortes, e, por último, com 23 mortes, Peru e Uruguai. Números que continuam crescendo visto o número de casos que ainda estão sendo investigados.

A primeira vítima confirmada da gripe H1N1 no Brasil aconteceu no dia 28 de junho, um caminhoneiro de 29 anos, internado em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. O Estado chegou a ser considerado como “a porta de entrada” para o vírus de influenza A no país, principalmente pelo fato deste fazer fronteira com Argentina e Uruguai. Casos foram contabilizados em São Paulo e no Rio de Janeiro, casos que apresentaram vínculos da pessoa contaminada com alguém que veio de países de risco. Em 30 de junho já foi identificado em São Paulo o primeiro caso de transmissão sustentada, em que a vítima não teve contato com alguém que veio do estrangeiro, confirmando-se assim, que o vírus circulava no país.
No dia 15 de julho o Brasil alcançou a marca de 1.175 casos. No dia 23 de julho a informação era de que haviam 34 mortes causadas pelo vírus H1N1 no país, mas no dia 24 o Ministério da Saúde informou que as mortes confirmadas eram, na verdade, 29 e não 34. Entretanto, seis dias depois da confirmação, os casos de morte causadas pelo vírus da gripe A subiram para 60 no país. Os estados com registros de morte, até agora foram: 29 em São Paulo, 21 no Rio Grande do Sul, 5 no Rio de Janeiro, 4 no Paraná e 1 na Paraíba.
Uma das preocupações dos Estados são os pacientes pertencentes ao grupo de risco, que são: crianças com menos de dois anos, gestantes, idosos, diabéticos, obesos, pacientes em tratamento contra o câncer e portadores do vírus da AIDS. No Rio de Janeiro estima-se que 55 mulheres grávidas e, aproximadamente, 35 crianças com menos de 2 anos permanecem internadas com suspeita de gripe A. A preocupação é tanta que a prefeitura do Rio chegou a prorrogar as férias das professoras grávidas e retardar início do funcionamento de creches.
A distribuição de medicamentos para combater a Gripe Suína já começou no Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros fará a distribuição contando com 42 pólos no interior e 15 na capital do estado. Os medicamentos só serão entregues a funcionários de hospitais ou acompanhantes de pacientes mediante apresentação de um formulário especial, corretamente preenchido, juntamente com a receita médica com cópia.
A Fiocruz entregou no dia 30 de agosto (2009) o 1º lote de medicamentos para tratamento da gripe suína fabricados no Brasil, um dia antes do prazo previsto. São 150 mil kits, cada um com 10 cápsulas, que já estão disponíveis para o Ministério da Saúde. Outros 60 mil kits, com 600 mil cápsulas, devem ser entregues até dia 31 de agosto. Para o Ministério da Saúde, esta quantidade de medicamentos mais os 800 mil tratamentos que foram comprados do laboratório Roche e que estão sendo entregues até o final de setembro (2009) escalonadamente devem ser suficientes para tratar todos os brasileiros que precisem ser medicados contra a gripe suína.
O remédio para o tratamento da gripe suína que o Ministério da Saúde está disponibilizando é feito a partir de fosfato de oseltamivir, mesmo princípio ativo do Tamiflu, medicamento usado no tratamento do vírus influenza A (H1N1). Cada kit dá para uma pessoa, que toma duas cápsulas por dia, durante cinco dias. As 1,5 milhão de cápsulas foram desenvolvidas pela Farmanguinhos, fábrica de medicamentos da Fiocruz.
O remédio não é comercializado, e sua distribuição será centralizada pelo Ministério da Saúde, que enviará os lotes aos Estados conforme as solicitações das Secretarias Estaduais de Saúde. Apenas os pacientes com agravamento do estado de saúde nas primeiras 48 horas, desde o início dos sintomas, e as pessoas com maior risco de apresentar quadro clínico grave serão medicados com o fosfato de oseltamivir. Os demais terão os sintomas tratados de acordo com indicação médica. O objetivo é evitar o uso desnecessário e uma possível resistência ao medicamento, assim como já foi registrado no Reino Unido, Japão e Hong Kong.
